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25 de junho de 2018
O que eu mais gosto em Èṣu
O que eu mais gosto em Èṣu é a sua capacidade de nos provocar e nos dizer a todo momento que as coisas podem ser diferentes.
Èṣu é a gênese, a provocação, a comunicação, o recomeço, o fim, o tudo, o nada, os prefixos des- e re- certamente lhe pertencem. Èṣu é movimento. Ele certamente odeia a inércia.
Todos nós somos Èṣu e nos esquecemos dele.
Vamos ficando preguiçosos dele, vamos abandonando o Èṣu que há em nós e é justamente nesta hora que ele nos manipula. Dizem que aquele que acende a fogueira com lenha molhada é um tolo porque ele sabe que terá de passar mais tempo abanando a lenha.
Èṣu não suporta perda de tempo, mas também não suporta a pressa. Ele é a controvérsia - Laroiye Èṣu - salve a controvérsia é a sua saudação. Em Èṣu tudo é tão paradoxal.
Onde está o equilíbrio, onde está o melhor caminho. Está na ação. Está no Àṣẹ e na integridade existencial.
Èṣu é Àṣẹ.
Negar o Àṣẹ é um grande Eewọ para a atuação e proteção de Èṣu em nossas vidas.
Hoje pense no grande Ẹbọ para agradar Èṣu: o que posso fazer por mim? Èṣu não suporta o inacabado.
Por isso pense bem antes de começar.
Oṣala não desistiu de sua viagem para visitar Ṣàngó e por isso Èṣu permitiu que continuasse a sua viagem. Todas as histórias dos Òrìṣà nos ensinam o valor das continuidades, dos objetivos, da obstinação e da vida.
O que temos feito por nós?
O que queremos para nós?
Por que as coisas tem sido mais difíceis hoje do que ontem?
Por que tenho fugido do meu próprio potencial e de um destino de superação?
Por que vou ao mercado e não sei o que trocar?
Por que quero ser menos do que mereço?
Por que estou parado esperando o paraíso cristão?
É preciso dizer a si mesmo que resistirá as provocações de Èṣu e que superará as próprias incertezas. São as incertezas que tornam os caminhos mais estreitos. É a percepção que faz o caminho. É a percepção que faz o caminho.
Agradeça, encha-se de certezas e vá em frente!
Laroiye Èṣu.
[Texto: Professor Doutor Babalorixá Sidnei Barreto Nogueira
Foto: Por: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved]
16 de dezembro de 2017
Fotos de Axé para celebrar 1 MILHÃO de acessos no Olhar de um Cipó
Alguém pode ler e pensar: O que é um milhão de acessos em um blog, quando há publicações na internet que, em um dia só, ultrapassam essa marca?
Tudo bem, mas preciso também falar da felicidade que isso significa e a importância de pensar as possibilidades da alcance que nossas produções tem. E por isso celebro.
Olhar de um Cipó é um blog que nasceu como forma de diálogo a partir das minhas vivências e anseios, no candomblé, e a fotografia é a forma que me cabe para escrever sobre essas experiências.
O candomblé é a experiência de humanidade mais humana que eu já tive, e tenho. É o lugar que me permite ser, e que historicamente, é o lugar criado pelos meus ancestrais para pudessem ser livres, em resposta à opressão de uma escravização de quase 400 anos.
Não só a violação e marginalização de nossas crenças, o racismo fez também que as temáticas relacionadas a religiosidade negra no Brasil, quando não invisibilizadas, fossem fetichadas, apresentadas de formas desumanas, porque é isso que um sistema racista faz com as práticas ancestrais africanas, no Brasil. Dessa forma, me é simbólico alcançar a marca de 1 milhão de acessos, através das tentativas de reescrever uma história em fotografias das diversas camadas de vida, fé e experiências sagradas proporcionadas no contato com divindades africanas.
Eu poderia só celebrar e agradecer, mas preciso dizer e relembrar que, Olhar de um Cipó é uma ferramenta de enfrentamento ao racismo. É minha resposta. É uma contra-narrativa negra para enfrentar uma cultura que tentou roubas nossa humanidade, e que embora tenha causado grandes danos sociais ao nosso povo, não conseguiu nos eliminar, graças a resistência de todos aqueles que me antecederam, nessa luta.
Assim, em memória da luta do meu povo, publico imagens já conhecidas pelas pessoas que acompanham esse trabalho. Publico em agradecimento a cada um que se permite olhar, por aqui. Publico pra dizer que milhão ainda é pouco, e que continuamos a dizer que o Candomblé é o maior legado que reis e rainhas africanos permitiram a nós, e com respeito, devemos preservar e defender.
Todas as imagens publicadas aqui são protegidas pelas leis de direitos autoriais e de propriedade intelectual. Seus direitos são reservados a Roger Cipó © Olhar de um Cipó
9 de novembro de 2017
Criança no Terreiro: Advogado das religiões afro-brasileiras, no STF, orienta sacerdotes e sacerdotisas
Recentemente, em Tatuí (SP), uma sacerdotisa de candomblé foi condenada a 7 anos de prisão. Na justificativa, a juíza utilizou da alegação de envolvimento de criança em "rituais religiosos" e decretou a prisão da sacerdotisa desde a denúncia.
Dr. Hédio Silva Júnior, mestre em direito pela PUC-SP, Ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo e notório advogado das religiões afro-brasileiras no STF, alerta sacerdotes e sacerdotisas, e propõe procedimentos que visam resguardar os templos afro-religiosos e garantir os direitos à dignidade e liberdade religiosa de crianças e adolescentes.
Silva Júnior, afirma que a educação religiosa da criança e do adolescente é de total responsabilidade dos pais/mães ou responsáveis, e que não há nenhuma legislação que proíba a presença dos mesmos em rituais religiosos, mas "há de se ter cautela" - comenta, tendo em vista as formas com que a intolerância religiosa tem atuado contra as religiões afro-brasileiras, no país. No caso de crianças e adolescentes, sugere autorizações prévias e disponibiliza dois importantes documentos: um modelo de declaração de pais/responsáveis, para participação em rituais "mais complexos", como define, por exemplo: "iniciações e bori", além de um modelo de comunicado ao conselho tutelar local, para preservação de direitos.
Assista a entrevista completo, publicado na página da Olhar de um Cipó e, abaixo, acesse os modelos de declaração e comunicado.
20 de outubro de 2017
Em SP, Aparelha Luzia recebe AFÉTO exposição de Roger Cipó
AFÉTO chega a São Paulo e terá abertura nesse sábado, 21 de outubro, às 20H, na Aparelha Luzia, o quilombo urbano mais importante de São Paulo. [LINK DO EVENTO]
Sucesso no Festival Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro 2017, AFÉTO, a primeira exposição individual de Roger Cipó, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo, é resultado de anos de observação do cotidiano de terreiros de candomblé em São Paulo e Rio de Janeiro, numa tentativa de recriar a imagem do sagrado negro a partir da perspectiva de evidenciar a humanidade dos adeptos do candomblé, povo que historicamente tem sido vitimado pelo racismo religioso. Nessa perspectiva, o trabalho propõe um diálogo imagético como contra-narrativa às imagens criadas em olhares desconhecidos que de forma superficial olhou para as práticas pretas de fé com "lentes fetichizadas", atribuindo lugares pejorativos e quase nunca olhado para as dimensões sagradas e valorosas desses povos e seus territórios. AFÉTO vai de encontro à uma nova construção daquilo que se pode entender por ver o candomblé e sua digna totalidade.
Uma atmosfera que reinvidica o sagrado afrobrasileiro como caminho de auto-cura coletiva de um povo forjado na luta, não só por liberdade, mas pelas possibilidade de viver. Em AFÉTO, Cipó, um jovem que descobriu a fotografia como forma de comunicar sobre sua relação com sua fé, compartilha imagens pouco conhecidas no imaginário da sociedade quando o assunto é candomblé. Seus retratos contam histórias de amor que nascem a partir da experiência de fé nos orixás. De acordo com o artista, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência do legado africano.
Serviço:
Aparelha Luzia recebe AFÉTO exposição fotográfica de Roger Cipó, curadoria de Marco Antonio Teobaldo
Abertura: 21 de outubro às 20H
Endereço: Rua Apa, 78. Campos Elíseos, São Paulo
EVENTO GRATUITO
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