17 de março de 2017

O Requinte de Mam’etu Mabeji, a Flor do Candomblé


Há 76 anos o terreiro Kupapa Unsaba, conhecido como Bate Folha RJ, foi fundado por Sr. João Correia de Mello, o João Lessengue.
Sr. João era um homem de muito bom gosto. Além do capricho com o terreiro, vestia-se com elegância e determinava que os filhos da casa se vestissem com o mesmo requinte. Esse mesmo requinte foi herdado pela sua sobrinha carnal Floripes Correia da Silva Gomes ou Mam’etu Mabeji que assumiu o Bate Folha em 1972 e o comanda nos dias atuais.

Mam’etu Mabeji nasceu em 10 de fevereiro de 1936 em Salvador/BA, no bairro da Liberdade. Veio para o Rio de Janeiro com 10 anos. Aos 11 anos de idade, no dia 20 de abril de 1947, foi iniciada para o Inkise Nsumbu pelo Sr. João Lessengue.
Em 1956, Mam’etu Mabeji casou-se com o Tata Nguzu José Milagre. Com o falecimento do Tat’etu Lessengue em 1970 e a ascensão de Mam’etu Mabeji em 1972 ao comando do Kupapa Unsaba, Tata Nguzu José Milagre tornou-se o seu braço direito, conservando junto com ela todo o primor da tradição Congo-Angola. Tata Nguzu José Milagre faleceu em 1999.
Neste ano de 2017, Mam’etu Mabeji completa 70 anos de iniciada e uma superfesta homenagem já vem sendo organizada há um ano pela sua neta carnal Ingrid Milagre e por toda a família Kupapa Unsaba.

Em sua homenagem, o DVD intitulado ‘A Flor do Candomblé’ será lançado exatamente no dia do aniversário de sua iniciação: 20 de abril. Esse DVD conta a sua trajetória e traz depoimentos de personalidades do Candomblé.
Já no dia 22 de abril, uma grande festividade no Kupapa Unsaba, em agradecimento ao Inkise Nsumbu por todo o amparo a Mam’etu, promete levar uma multidão de amigos que querem abraçar e reverenciar a tão querida Mam’etu Mabeji!

Personalidades que participam do DVD:
Bira de Xangô do Ilé Àse Ojú Ògodò, Criollo de Nanã do Ilé Àse Awo Wurassian, Elias de Yansã do Ylê Ashè Efón, Fernando de Oxossi do Yle de Erinlê Axé Layò, Ìcaro Ti Ososi do Ilé Asé N’ila Ode, Ogan Bangbala do Asé Shangrilá, Bàbálorixá Luiz Fernando de Oxóssi e Yalorixá Regina Lúcia de Yemanjá do Axé Òpó Afonjá e o Ogan e escritor José Beniste. Yalorixá Beata de Yemanjá do Ilé Omiojuaro. Mam´etu Mabeji Kupapa Unsaba, Mesu Eiando também do Kupapa Unsaba. Tat´etu M’beji do Kisaba Oxi.
Solenidades:
Dia 20 de abril, quinta-feira, às 18h, lançamento do DVD ‘A Flor do Candomblé’ e uma super apresentação do Afoxé Bamba no Arô, dirigido por André Simpatia.
Dia 22 de abril, sábado, às 16h, grande Kizomba (festa) saudando Nsumbo, o Rei da Terra.
Kupapa Unsaba-Bate Folha, Rua Edgard Barbosa 26, Anchieta/RJ.
Sakidila Mbuntu Ngola! (Louvada seja a Nação de Angola!)
Aueto!
Fonte: Extra/Globo
Fotos que ilustram a matéria: Todos os direitos reservados para Roger Cipó - Olhar de um Cipó 

14 de março de 2017

Cores, Instantes e Movimento: Olhares do Transe Sagrado


"As cores que revivem a presença sagrada. Os instantes quando a África Ancestral se faz. Movimentos que embalam a vida nos territórios de fé negra, e suas reticências. 
É nessa perspectiva que o fotógrafo Roger Cipó compartilha parte do acervo da Olhar de um Cipó, que há anos se dedica na documentação da imagem de terreiro, propondo através de suas imagens uma possibilidade de construir novas narrativas a cerca do registro do universo ritual e cotidiano na religiosidade do candomblé, tendo a fotografia como ferramenta de descontrução de olhares intolerantes".























Por: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

22 de fevereiro de 2017

Coletivo de Afoxés convida Povo de Axé para um grande Carnaval em SP


Publicado originalmente em 19/02, por Valéria Fonseca: http://migre.me/w6HQT

Em uma reunião de Afoxés e blocos Afro de diversos municípios do estado de São Paulo, o “Quem é do Axé tem Samba no pé e vem pro Afoxé” promete agitar a segunda (27) de carnaval da capital paulista. A concentração acontece às 15hs na Praça do Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade, bem no centro da cidade.
A iniciativa é da ASTEC (Associação de Sambistas, Terreiros e Comunidades do Samba de SP) em conjunto com algumas entidades como o Afoxé Omi Alado, Afoxé Ilê Omo Dada, Afoxé Filhos de Ganga Zumba, Afoxé Omo Oya e o Instituto de Memória e Tradição do Samba de São Matheus.
Em tempos de discussão sobre apropriação cultural, essa é uma grande oportunidade de conhecer e curtir manifestações de matriz africana presentes no estado de São Paulo.

Os afoxés seguirão pelas principais vias da região Central e para quem pretende entrar no ritmo ancestral dos afoxés, a #Folia termina com uma Roda Samba na sede da ASTEC com consagrados sambistas paulistas e muito acarajé. Se for do axé (termo usando para designar os praticantes das religiões de matrizes africanas) vá com as cores de seu Orixá, Vodum ou Inquice. Se for folião, vá de coração aberto.

Saiba mais e confirme presença no link do evento: https://www.facebook.com/events/415318688820719/

E o que é um Afoxé?
Segundo Eduardo Fagundes (Pai Dudu), representante do Afoxé Omi Alado sediado em Campinas, o termo "afoxé" provém da lingua Ioruba. É composto por três termos: A, prefixo nominal; FO, significa dizer, pronunciar e Xé, significa realizar-se. Afoxé portanto quer dizer "o enunciado que faz acontecer".
Dudu ainda complementa explicando que por ser "o enunciado que faz acontecer", o cortejo de rua por muito tempo abriu, e ainda abre, os festejos de #Carnaval. A manifestação afro-brasileira com raízes no povo Iorubá vem ganhando força a partir de seus integrantes, que, em geral, são praticantes do Candomblé.
Carnaval dos blocos em SP
Até dia 05 de março a Prefeitura de São Paulo segue com uma programação extensa para facilitar a dispersão do mais de 400 blocos carnavalescos que desfilam no carnaval de rua 2017.
Palcos estão montados no Anhangabaú, no Centro e no Largo da Batata, na Zona Oeste, com programação a partir das 19h até às 23h. Artistas como Nação Zumbi, Paralamas do Sucesso, Bixiga 70 e convidados, Liniker, Céu e Elza Soares são presenças confirmadas.Saiba mais sobre a programação oficial do Carnaval em São Paulo no site carnavalderua.prefeitura.sp.gov.br.

SERVIÇO
O que?: “Quem é do Axé tem Samba no Pé e vem pro Afoxé”
Quando?: dia 27 (segunda )
Onde?: Praça do Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade
Horário: 15h (concentração)
Quanto: Entrada Franca
Sede da ASTEC: Av Nove de Julho, 423 – Centro - SP #CarnavaldeRuaSP

31 de janeiro de 2017

Terreiro de Mãe Corina sofre com perseguição religiosa e abusos da Guarda Municipal de Diadema



 Imagine o quão violento é para uma sacerdotisa de quase 90 anos ter seu terreiro interrompido por quem deveria proteger seu direito de fé. 

Um dos templos de umbanda mais antigo de Diadema, o Terreiro Vó Maria de Aruanda, fundado e conduzido por Mãe Corina, tem vivido dias assustadores desde o último 14 de janeiro, quando a festividade foi interrompida pela guarda municipal que ao invadir o terreiro ordenou que fossem encerrada a cerimônia, por volta das 21h. A rua foi tomada por viaturas que adentraram o pequeno terreiro, na região central da cidade, alegando que o templo infringia a , popularmente conhecida, lei do psiu.
"Eles não deixaram a gente tocar, anotaram todos as placas de carros para dar multa. Falaram que a gente estava tocando acima do decibéis e que a houve denúncias". Explicou Dani Amorim, filha de santo da casa que completou: "Minha avó tomou um grande susto, porque a gente estava no meio da festa, os orixás 'em terra', e as pessoas tiveram que sair correndo..."

Há mais de 60 anos, Mãe Corina mantém suas portas abertas para a prática da umbanda sagrada. Conhecida e respeitada por toda comunidade do entorno e pelas centenas de terreiros de Diadema, aos 86 anos de idade, a mãe de santo se assustou com a forma violenta e arbitrária com que a guarda municipal exigia o silenciamento de seus atabaques. Recentemente, ela atravessou um grave problema de saúde, ficando impossibilitada de andar por quase um ano, a melhora aconteceu graças à Iemanjá, seu orixá e aos guias de luz do terreiro.

"Eu também estou com medo porque ontem (30/01) nós estávamos decorando o terreiro, em silêncio, em respeito aos orixás. A gente vai fazer a festa de Iemanjá em agradecimento a saúde da minha avó. Minha avó ficou um ano sem andar, e hoje ela já está andando e 'trabalhando' com o caboclo dela, mas ontem parou GCM na frente da nossa casa de santo, e ficaram anotando um monte de coisas. Eu me senti ameaçada, porque eu precisava ir embora por volta da meia noite e dá medo de sair na rua de branco". contou Dani Amorim



Em tom de ameaça, os guardas municipais são enfáticos ao dizerem que o problema é com o barulho dos tambores do Terreiro de Vó Maria de Aruanda e qualquer que seja o horário, se os tambores tocarem e a vizinhança acionar a GCM, o culto será interrompido, o que explicita que a atuação do município é descaradamente intolerância religiosa, uma vez que não há sequer relato de outros seguimentos terem suas práticas interrompidas por, por exemplo utilizarem microfones e aparelhos de som durante seus ritos de pregação e cantos de louvores.

Ao saber do ocorrido, membros de diversos movimentos pró-direitos de fé dos povos de terreiros se colocaram indignados e prontos para a luta contra os abusos intolerantes protagonizados pela segurança pública da cidade, Cássio Ribeiro, presidente da FUCABRAD - Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Diadema, publicou nota em seu perfil das redes sociais e questionou: "Até quando uma senhora tão cheia de amor,  ternura e de fé, será constrangida  e perseguida? A GCM faria isso em um culto evangélico? Colaria um pastor sob a mira de armas?"

Josa Queiroz, membro da FUCABRAD e vereador em Diadema, convocou o comando da GCM de Diadema para uma audiência pública a fim de propor um dialogo entre a prefeitura e o povo de terreiro da cidade para que sejam respeitados e não tenha o direito de expressão de fé cerceado pelo município. O ato acontecerá na próxima terça-feira, 07/02 às 17h, na Câmara Municipal de Diadema. 
 Link do evento: https://www.facebook.com/events/676336082569509/

É de extrema importância que a prefeitura de município se coloque diante do ocorrido e garanta o exercício de fé da comunidade vitimada pela intolerância institucionalizada. Diadema é uma cidade de tradição, conhecida nacionalmente pela sua atuação no enfrentamento a intolerância religiosa, onde o saudoso Toy Francelino de Xapanã protagonizou e impulsionou grandes feitos pelos direitos dos povos de terreiro, tornando-se referência na luta.


A atuação da GCM revela Diadema como uma cidade intoleranteque regride a tempos de silenciamento e marginalização das práticas religiosas afro-brasileiras. Uma cidade que ao invés de proteger, permite que sua guarda municipal agrida a moral de uma sacerdotisa de quase 90 anos de idade e que há 60 atende a comunidade com cuidados religiosos e ações comunitárias como entrega de alimentos, entre outras. É inadmissível que a quarta cidade mais negra do país não respeite a herança africana em sua terra, e não consiga aprender com griots como Mãe Corina a importância de se respeitar as diferenças e garantir a boa convivência em sociedade.

Texto e Fotos: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved