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22 de fevereiro de 2017

Coletivo de Afoxés convida Povo de Axé para um grande Carnaval em SP


Publicado originalmente em 19/02, por Valéria Fonseca: http://migre.me/w6HQT

Em uma reunião de Afoxés e blocos Afro de diversos municípios do estado de São Paulo, o “Quem é do Axé tem Samba no pé e vem pro Afoxé” promete agitar a segunda (27) de carnaval da capital paulista. A concentração acontece às 15hs na Praça do Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade, bem no centro da cidade.
A iniciativa é da ASTEC (Associação de Sambistas, Terreiros e Comunidades do Samba de SP) em conjunto com algumas entidades como o Afoxé Omi Alado, Afoxé Ilê Omo Dada, Afoxé Filhos de Ganga Zumba, Afoxé Omo Oya e o Instituto de Memória e Tradição do Samba de São Matheus.
Em tempos de discussão sobre apropriação cultural, essa é uma grande oportunidade de conhecer e curtir manifestações de matriz africana presentes no estado de São Paulo.

Os afoxés seguirão pelas principais vias da região Central e para quem pretende entrar no ritmo ancestral dos afoxés, a #Folia termina com uma Roda Samba na sede da ASTEC com consagrados sambistas paulistas e muito acarajé. Se for do axé (termo usando para designar os praticantes das religiões de matrizes africanas) vá com as cores de seu Orixá, Vodum ou Inquice. Se for folião, vá de coração aberto.

Saiba mais e confirme presença no link do evento: https://www.facebook.com/events/415318688820719/

E o que é um Afoxé?
Segundo Eduardo Fagundes (Pai Dudu), representante do Afoxé Omi Alado sediado em Campinas, o termo "afoxé" provém da lingua Ioruba. É composto por três termos: A, prefixo nominal; FO, significa dizer, pronunciar e Xé, significa realizar-se. Afoxé portanto quer dizer "o enunciado que faz acontecer".
Dudu ainda complementa explicando que por ser "o enunciado que faz acontecer", o cortejo de rua por muito tempo abriu, e ainda abre, os festejos de #Carnaval. A manifestação afro-brasileira com raízes no povo Iorubá vem ganhando força a partir de seus integrantes, que, em geral, são praticantes do Candomblé.
Carnaval dos blocos em SP
Até dia 05 de março a Prefeitura de São Paulo segue com uma programação extensa para facilitar a dispersão do mais de 400 blocos carnavalescos que desfilam no carnaval de rua 2017.
Palcos estão montados no Anhangabaú, no Centro e no Largo da Batata, na Zona Oeste, com programação a partir das 19h até às 23h. Artistas como Nação Zumbi, Paralamas do Sucesso, Bixiga 70 e convidados, Liniker, Céu e Elza Soares são presenças confirmadas.Saiba mais sobre a programação oficial do Carnaval em São Paulo no site carnavalderua.prefeitura.sp.gov.br.

SERVIÇO
O que?: “Quem é do Axé tem Samba no Pé e vem pro Afoxé”
Quando?: dia 27 (segunda )
Onde?: Praça do Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade
Horário: 15h (concentração)
Quanto: Entrada Franca
Sede da ASTEC: Av Nove de Julho, 423 – Centro - SP #CarnavaldeRuaSP

21 de novembro de 2016

São Paulo recebe exposição fotográfica sobre a vida no candomblé



A dança sagrada, a beleza do rito, o encontro com a divindade em transe.
Cores, formas, texturas e afetos da família de santo são traduzidos na fotografia de Roger Cipó, e compartilhados em sua mais recente exposição, Olhar de um Cipó, que abre na próxima quarta-feira, 23 às 15H, no tradicional Palácio da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, no Pátio de Colégio, centro da cidade.

A exposição leva o nome da pesquisa de RogerCipó, o jovem fotógrafo e candomblecista que vem se destacando com sua sensível arte de registrar a vida ritual e social dos terreiros de candomblé. Seu trabalho propõe um diálogo visual atravpes das belezas do universo dos orixás, para desconstruir o imaginário intolerante sobre a imagem de terreiro, construído a partir das lentes do racismo religioso, ao longo do processo de demonização e marginalização da fé em divindades negras.   

Com visitação até 30 de novembro, a Exposição FotográficaOlhar de um Cipó integra a programação especial da Consciência Negra, promovida pela Coordenação Geral de Apoio aos Programas de Defesa da Cidadania, em parceria com o Fórum Inter-religioso por uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença de São Paulo.


Saiba mais sobre a pesquisa Olhar de um Cipó pela promoção e valorização da imagem de terreiro: https://www.facebook.com/olhardeumcipo/?fref=ts


Serviço: 
Exposição Fotográfica Olhar de um Cipó
Abertura: 23 de Novembro, às 15 - Visitação até 30 de novembro.
Local: Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania
Espaço da Cidadania André Franco Montoro
Largo Pátio do Colégio, 184 - Sé, São Paulo
Entrada Gratuita


27 de setembro de 2016

10 anos de Águas de São Paulo terá show de Arlindo Cruz e Prêmio à Personalidades da Luta Contra Intolerância

Sob o mote #JUNTOSSOMOSMAISFORTES, o Movimento As Águas de São Paulo celebra uma década de luta pelo fim da discrimiação e por cultura de paz.



O evento tem início na próxima sexta, 30, com lançamento do Prêmio Luiza Bairros e encerramento com show grátis de Arlindo Cruz, no dia 08 de outubro, em ato público, no Vale do Anhangabaú. O famoso sambista de Madureira, convocou os fãs: "Dia 8 de outubro, no Vale do Anhangabaú, quero todo mundo de branco, pra gente protestar contra a Intolerância Religiosa".

Idealizado em 2006 pela Iyalorixá Edelzuíta de Oxaguian, o movimento se estabeleceu a partir da mobilização do povo de axé de São Paulo, que anualmente ocupa o Vale do Anhanbagaú, na região central da cidade, promovendo um importante ato de conscientização e denuncia da violência contra comunidades de terreiro. 

Pouca gente sabe, mas 30 de setembro é  o Dia Municipal e Estadual das Religiões de Matriz Africana, em São Paulo. 


 Segundo a Iyalorixá Edelzuíta, "Foram muitos anos de luta para conseguir sancionar a Lei Municipal 14.619/07, de autoria do Vereador Wadih Mutran". Já o decreto de reconhecimento estadual se deu em janeiro desse ano, a partir de mobilizações de lideranças do movimento. 

Ela explicou ao programa de rádio web Candomblé Total, em 2015: "Sobre a lei, já me perguntaram por que 30 de setembro? Porque é o mês em que está se colhendo inhame na África, o período quando se faz as águas de Oxalá no Ilê Axé Opô Afonjá, no Engenho Velho e no Gantois, e também porque é quando se inicia a primavera. Então, achei que 30 de setembro seria uma boa data por isso e também por ser dia de São Gerônimo, que não é Xangô mas é sincretizado com ele. E Xangô é a força da nossa tradição. (...) As Águas de São Paulo não é a lavagem do Bonfim, mas o enredo é o mesmo: o povo vestido de branco, com sua jarra e flores e água de cheiro para banhar a estátua da Mãe Preta, que é o símbolo da consciência negra na cidade". Clique para ler entrevista na íntegra




Luiza Bairros é a Força Ancestral que dá nome ao Prêmio 

A eterna Ministra-Chefe da Secretária de Promoção da Igualdade Racial dá nome ao prêmio que tem como objetivo reconhecer o legado de profissionais e ativistas de diversas áreas. 
O  cerimonial de dez anos e Lançamento do Prêmio Luiza Bairros, para personalidades da luta pelos direitos dos povos de matriz africana, acontecerá no Teatro da prestigiada Galeria Olido. Entre os homenageados estão nomes como o professor Juarez Xavier, Dennis de Oliveira e Olhar de um Cipó.

Luiza Bairros foi uma das mais importantes referências políticas e sociais da luta pelos direitos da populaçao negra e das mulheres brasileira que faleceu em julho desse ano, vítima de um cancer. 

Luiza Bairros atuou diretamenta na defesa dos direitos e dignidade dos povos de terreiro


Vista-se de Branco e venha para Luta!

Em vídeo publicado pela organização do evento, Arlindo Cruz e Arlindo filho convidam para o show de celebração aos dez anos do Movimento As Águas de São Paulo.




Participe!

Serviço: 
As Águas de São Paulo - 10 Anos 
Programação: Dia 30/09, às 19H: Ato Solene e premiação. Local: Galeria Olido. Av. São João, 473; Dia 08/09, às 12H: Ato Público e show "2 Arlindos", Vale do Anhangabaú, centro de SP. 
Evento Gratuito


8 de agosto de 2016

CD "Sìré Nàgó-Kétu - Tributo ao Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo" será lançado por seus Herdeiros


O CD em homenagem ao Pai José Carlos é um importante registro de preservação da memória do fundador do Ilé Ibùalámo. A apresentação desse documento sonoro é realizada por três pessoas queridas, sendo elas: Mãe Luizinha de Nánà do Ilé Alákétu Asè Airá, detentora do título de Ara Ibatan NIlé Ibùalámo, Tio Wilson de Òsun do Ilê Nidê de Pai Ninô e o mestre Gamo da Paz, que contribuiu para a realização dessa obra, com todo o conhecimento de quem já gravou inúmeros CDs.
O CD conta com 15 faixas, nas quais constam as cantigas prediletas de Pai José Carlos de Ibùalámo.
Os solos dos cânticos foram gravados pelos filhos carnais de Pai José Carlos: a Ìyálòrìsà Gabriela de Obaluwaiye e Opotun Vinicius. O coral foi composto por filhas do Ilé Ibùalámo. A saber: Giovanna de Òsun (neta carnal de Pai José Carlos), Michelli de Oya, Kelly de Yewa, Thaís de Iroko, Thayane de Ògún, Viviane de Yemoja e Leiane de Òsun.
A execução dos toques foi realizada por Opotun Vinicius (Hun), Mogba Fábio (Hunpi), Ogan Dennis (Hunlé) e Ogan Xandê (Agogo).
Em razão do CD ser, em verdade, uma homenagem ao nosso Pai, o mestre Gamo da Paz nos sugeriu que na introdução de cada cântico, explicássemos o motivo da escolha daquela cantiga e, se possível, colocarmos falas do nosso Pai nesse documento sonoro – assim o fizemos. Dessa forma, para cada cantiga entoada, no introito da faixa há pequenos depoimentos da Ìyálòrìsà Gabriela, do Opotun Vinicius e, em algumas faixas, valorosas falas do Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo que conseguimos resgatar.
Além dos relatos gravados, constam informações em relação a escolha de cada cântico para a realização dessa obra no encarte que acompanha o CD, bem como, algumas fotos que ilustram a ligação de nosso Pai e de Ibùalámo com essas cantigas. O texto do encarte que foi cuidadosamente elaborado, contou com a preciosa revisão do Prof. Dr. Sidnei Barreto. As fotos dos CD e encarte, algumas foram tiradas pelo amigo Ricardo Esposito e outras fazem parte do acervo do Ilé Ibùalámo.

 Ìyálòrìsà Gabriela de Obaluwaiye e Opotun Vinicius (Acervo Pessoal(

Nós acreditamos de forma contundente que esse CD constituí uma grande homenagem ao Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, porém, acreditamos igualmente que a principal homenagem que lhe podemos fazer é perpetuar o Ilé Ibùalámo, casa por ele fundada- e isso está sendo feito. Acreditamos que o trabalho de perpetuação do legado do fundador do Ilé Ibùalámo nasceu no dia da reabertura do seu Asè, por isso, finaliza essa obra, uma faixa gravada ao vivo na reabertura do Ilé Ibùalámo, na qual a Ìyálòrìsà do Ilé Ibùalámo canta uma significativa reza do nosso Asè, seguida do Agere de maior valor para a nossa Casa. Nessa faixa, há também, um excerto da primorosa execução do Agéré realizada pelo mestre Robson de Òsóòsì ao vivo no dia da Reabertura.
Informações:
O Lançamento do CD acontecerá no Ilé Ibùalámo, em outubro de 2016, mês da fundação do Ilé Ibùalámo – A data exata será comunicada em breve.
Vendas: as vendas serão iniciadas no dia do lançamento – todas as informações como valor, forma de compra, serão divulgadas na página do Ilé Ibùalámo.
Observação: Todo o dinheiro da venda do CD será revertido para obras no ilé Ibùalámo - a venda também se faz necessária, sendo que o CD não recebeu patrocínio para a sua realização.
Aguardem!!!

Fotos e Texto reproduzidos da página oficial de 
Sociedade Ile Alákétu Asè Ibùalámo

17 de dezembro de 2015

Cia de Dança apresenta Espetáculo inspirado em Eleguá e Exú, em São Paulo (HOJE - 17/12)


Hoje (17/12) às 21H, a Calabar Cia de Dança faz apresentação gratuita do espetáculo GARABATO, no Centro de Referência da Dança, no Vale de Anhangabaú, em São Paulo. 

GARABATO é o nome dado à ferramenta utilizada por Eleguá, divindade cultuada na Santería, religião Afro-Cubana. No Brasil, a divindade corresponde a Exu, cultuado no Candomblé.
O espetáculo de dança GARABATO faz um paralelo cultural entre Cuba e Brasil - especialmente o estado da Bahia - tendo como ponto de partida as manifestações populares cubanas, a fim de evidenciar as convergências culturais entre os dois povos, seja na maneira de falar, agir, andar, supostamente influenciadas pela divindade iorubana. O trabalho aborda a presença de Eleguá e Exu no cotidiano cultural do cubano e do baiano, a ponto de confundir a identificação quando relacionados.


Ficha Técnica
Direção e Coreografia: Alexei Ramos
Bailarinos: Alexei Ramos, Emília Pedra, Henrique Pessoa, Michele Vasconcelos
Poema: Thais de Oyá (da página Barravento)
Vozes: Thiago Gallindo, Hanser Ferrer, Aniel Someillan, Claudia Rivera, Jorge Silva, Alexis Flores, Inah Irenam, Bruno de Jesus, Nani de Oliveira
Luz: Alexei Ramos e Michele Vasconcelos
Cenografia, Figurino e Vídeo(Concepção): Alexei Ramos
Operação de Vídeo: Douglas Campos
Produção: Michele Vasconcelos
Músicas: Hildur Gudnadottir, Lévon Minassian, Dhafer Youssef, Tata Guines, Omo Ngoma, The Cinematic Orchestra.
Duração: 50 min.


O Centro de Referência da Dança, fica nos baixos do Viaduto do Chá, no Centro de São Paulo. Mais Informações, clique no link: https://www.facebook.com/events/1514225902237763/1521112068215813/

Serviço: 
Espetáculo GARABATO 
Quando? HOJE, 17 de Dezembro, às 21H
Onde? Centro de Referência da Dança em São Paulo - Baixos do Vale do Anhangabaú s.n 
ENTRADA GRATUITA 


11 de novembro de 2015

FLINKSAMPA recebe Palestra sobre Intolerância Religiosa, sexta 13/11 no Memorial da América Latina-SP




Idealizada e organizada pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobras, a FLINKSAMPA – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra chega à sua 3ª edição sob o lema Eu quero respirar!. A frase é uma referência ao direito de existir, de ser negro, de se ver espelhado na sociedade e de contar, de fato, com todos os direitos humanos estabelecidos. O conceito norteará os diversos ciclos de discussões e o espaço para manifestações culturais, que serão realizados nos dias 13 e 14 de novembro, uma semana antes da Semana da Consciência Negra.

No dia 13, às 14:30 o Fotógrafo e pesquisador Roger Cipó participa do evento com a Palestra "Intolerância Religiosa: A Face do Racismo que Mata em Nome de Deus", uma abordagem sobre os perigos do fanatismo religioso e como o racismo brasileiro tem atuado violentamente para Oprimir seguidorxs  das Religiões de Matriz Africana, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 
A palestra é gratuita e acontecerá no Espaço Vestibular Zumbi dos Palmares, da FLINKSAMPA. 
Mais Informações e programação completa, clique no link: http://www.flinksampa.com.br/index.php/programacao/32-programacao/227-espaco-vestibular-zumbi-dos-palmares 


Roger Cipó é fotógrafo-pesquisador, educador social, candomblecista e militante contra os crimes de intolerância religiosa e racismo. Suas  produções e pesquisas fotográficas no candomblé e umbanda, tem como objetivo estudar as diversas estruturas que baseiam a sociedade afro religiosa. Em seu trabalho, a fotografia ultrapassa a condição de documentação e assume o papel de instrumento sensibilizador para a desconstrução de conceitos intolerantes amparados pelo racismo, propondo diálogos visuais e de reflexão sobre a verdadeira imagem da pluralidade cultura e arte ritual afro-religiosa. 
Roger Cipó é também idealizador da Organização das Tradições Ancestrais Africanas - O.T.A, coletivo formado por religiosos, artistas e estudiosos das culturas africanas, pela articulação, mobilização sócio-cultural pelo direito de expressão da fé negra. E em 2015 foi reconhecido com o Prêmio Jovens do Axé, na Câmara Municipal de São Paulo, em iniciativa do Programa Liberdade de Expressão.   
FLINK SAMPA 2015 - Memorial da América Latina - São Paulo (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664  - Ao lado do metrô Barra Funda ,São Paulo - SP)

29 de setembro de 2015

Mãe Edelzuíta de Oxaguian explica As Águas de São Paulo




No próximo dia 03 de Outubro, acontecerá a 9ª edição de As Águas de São Paulo, um importante movimento sócio religioso pela Liberdade de Expressão da Fé e Cultura de Paz, no combate à Intolerância Religiosa, Racismo e todas as manifestações discriminatórias. 

No auge dos seus 71 anos de iniciação no Candomblé, e uma jovial força para lutar pelos direitos do Povo de Axé, Mãe Edelzuíta de Oxaguian - quarta filha mais velha de Mãe Menininha do Gantois, precursora da Raiz Gantois no Rio de Janeiro (onde fundou o ILÈ OBÁ N'LÁ, em 1944), e idealizadora do Movimento As Águas de São Paulo cedeu uma importante entrevista ao Babalorixá Ofanire - atual Presidente do movimento, em seu programa de rádio web Candomblé Total. 

Leia a entrevista:


Como surgiu a ideia de criar As Águas de São Paulo?

As Águas de São Paulo faz parte da lei municipal do Dia Municipal das Religiões de Matriz Africana: Umbanda, Candomblé e seus segmentos, festejada todo dia 30 de setembro. Sobre a lei, já me perguntaram por que 30 de setembro? Porque é o mês em que está se colhendo inhame na África, o período quando se faz as águas de Oxalá no Ilê Axé Opô Afonjá, no Engenho Velho e no Gantois, e também porque é quando se inicia a primavera. Então, achei que 30 de setembro seria uma boa data por isso e também por ser dia de São Gerônimo, que não é Xangô mas é sincretizado com ele. E Xangô é a força da nossa tradição.
No Rio de Janeiro, onde resido e tenho a minha casa de Candomblé, foi onde idealizei esse projeto. Resolvi aproveitar a oportunidade para espalhar a ideia pelo Brasil, quando decidi trazê-la para São Paulo, para que fosse como uma lavagem do Nosso Senhor do Bonfim, que acontece na Bahia. As Águas de São Paulo não é a lavagem do Bonfim, mas o enredo é o mesmo: o povo vestido de branco, com sua jarra e flores e água de cheiro para banhar a estátua da Mãe Preta, que é o símbolo da consciência negra na cidade.

Há planos de levar esse movimento para outros locais do país?

No Rio de Janeiro também comemoramos a data, na Assembleia Legislativa do Rio Janeiro, quando vou com a minha quartinha e água perfumada e jogo na escadaria do local. Em Brasília também temos um projeto em andamento. Mas a minha intenção é que o 30 de setembro atinja todo território nacional e passe a se chamar As Águas Sagradas do Brasil, pois onde não há água, não há vida.


A senhora acompanha a coordenação do movimento?

A ideia foi minha, mas passei o comando para as mãos do meu filho de santo Beto (Babalorixá Ofanire), pois não posso estar presente o tanto quanto gostaria. E acho que ele é a pessoa mais indicada para cuidar do movimento. Então, olhem As Águas de São Paulo com carinho, pois não é Beto, não é a Dona Edelzuita, mas a nossa religiosidade que está em defesa.

Qual o principal objetivo d’As Águas de São Paulo?

Nós não trabalhamos contra a intolerância religiosa, mas pela defesa da religiosidade e da cultura de paz, da compreensão e do amor. E o que eu mais quero é que o povo que habita a cidade de São Paulo, principalmente aqueles que são da tradição do orixá - seja da Umbanda, da Quimbanda, do Omoloco, entre outras, e até mesmo das escolas de samba e dos afoxés, que têm seus enredos baseados no Candomblé, sinta a responsabilidade que pesa no ombro de cada um e se faça presente no movimento.



O que falta para que as pessoas realmente se envolvam e participem cada vez mais do movimento?

Foram muitos anos de luta para conseguir sancionar a Lei Municipal 14.619/07, de autoria do Vereador Wadih Mutran, e isso deve ser levado em consideração. Mas a palavra é conscientização: pelo tamanho da nossa luta e por todas as dificuldades. Temos que seguir acreditando na cultura de paz, na união dos povos e batalhando pelo respeito. E por isso convoco a todos para estarem presentes na Câmara Municipal de São Paulo, no dia 30 de setembro, e no nosso ato público, no dia 3 de outubro, no Vale do Anhangabaú. Eu estarei lá também e quero um mar de branco no Vale, porque só juntos somos fortes.
Não façam política, não façam guerra, façam a paz e participem. Lutem pelo engrandecimento da nossa religião. 
As Águas de São Paulo é sua, então a abrace com carinho, dedicação e amor. 


Transcrição da entrevista veiculada no site http://www.sensorialfm.com.br/ em setembro de 2015 
Fotos: As Águas de São Paulo (2014, 2013, 2014) - Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

17 de agosto de 2015

Exú e a Cidade que não é do Homem



Coitado é aquele que pensa que faz o que quer e quando quer 
Esú é quem manda na cidade. 

É quem toma a sua Boca e faz você dizer o que ele quer. 
Também te faz pensar o que não pensa,
Te leva para onde você não vai 
E só dar aquilo que você merece, 
Quando ele acha que deve. 
Ahh, coitados aqueles que acham que mandam na cidade.

É Esú quem manda nas vontades do Mundo. 



[As Águas de São Paulo 2014 - Foto e Texto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved]

24 de julho de 2015

Gente Grande é quem me Fez!


Ninguém precisa carregar o mundo nas costas, precisa não...
Há no mundo, muita mais dor que o nosso mundo suporta
Aahh, eu me faço homem bravo,sim!
Me atrevo a bater de frente, sagrando em correntes e gritando Nãos!
Visto-me de tudo que é valentia e parto, com o peito pra cima
Me embrenho nas ruas da vida, não descanso em esquinas e saio a encarar o mundo
Mundo tinhoso que eu tanto escorraço
por que deixastes ser tomado pelos mais sentimentos amargos..?
Mundo meu que me penso fora dele, quando sou todo parte do pecado, do próprio escorraço, e por muitas vezes, eu o Amargo...
Mas passa sábado, passa domingo, segunda, terça, quarta... Na quinta, eu me tomo em postura, e já sinto que não vale tanto o peso que ainda me assusta.
Anoitece em quinta,e eu vou me encontrando comigo
Já consigo lembrar que o peso desse mundo não precisa ser todo meu, não.
Já sei que de homem, só careço do peito aberto pra receber e dar amor. Vou de leve, desacelero e quero mesmo estancar a dor.
Dor de semana doente, mais doente que o mundo demente que me fazia o que for...
Aahh, já passa a noite e meu reflexo reluz eu!
Eu ainda sou aquele que de forte só tem Fé. Mas que seja na pancada pra aprender que é.
Acordo o Eu e repito: Menino eu sou, Ainda sou... E Amanhã serei menino... 


É o que sou!
E se o mundo não me permitir, insistirei em ser
Gente grande é quem me fez
Gente grande é quem me guarda
Gente grande é quem me ama
Eu, com o mundo, não guento não!
Eu devo mesmo ficar quietinho,
Confiar no dono do destino,
Entender que sou menino...
Vou sim, jogo o peso de lado
Não é mesmo o que tenho plantado,
De nós eu me desarmo
Eu sou só o filho dele
Quem manda no mundo é o meu pai
Desço um degrau,
Abaixo mesmo a crista
Sigo de peito aberto - só para acolher e amar
Sem pressa, é como devo ir e não fazer barulho mais
Tá bom, já sei que sou menino,
Mas vai dar certo
Homem do mundo, é meu Pai

Roger Cipó © Olhar de um Cipó 2015 - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved