Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

21 de julho de 2015

O Orixá Serpente


"Arroboboi..." - A mais velha gritou
E antes que a sede desse nó na garganta
Fios de Água da Cobra tocavam o chão
Em sede, Como ímã,
Aquela pequena poça atraia cabeças
Da Mãe, ao menino de Kele
Do aburó, à Egbomi
Do Ogã, ao visitante...
Era a força dele que chegava para o xirê
Era o transmutável que vive bem no solo e na mata
Caça no calor e dança nos Rios
Força arisca e sabida
Fonte dos botes sensíveis e milimetricamente transformadores
Transmutação das Energias do encantamento
Não dos possíveis potes de ouro ao final de seu arco,
Mas de toda a magia que domina sua íris quando se enrosca no mundo
E faz chover Asé.

[Foto e Texto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved]

16 de julho de 2015

Há um Odé em Mim




 
Orixás Caçadores são as forças - ou estado da energia, responsáveis por impulsionar-nos a caçar o que nos é de necessidade.

Em algum momento da vida, essa força te fará um caçador. Seja o caçador arisco que entra na mata levando tudo nos peitos e apanha a caça na força; seja o caçador ardiloso que calculará milimetricamente a distancia de sua presa (objetivo) e usará da inteligência para não precisar deferir golpes bruscos; seja o caçador persistente que não volta para a aldeia sem que esteja levando sua caça - e isso pode demorar um dia, uma noite, semana, meses e até anos... O Caçador não te fará desistir de quem você é e nem do que quer ser.

Sim, todos nós temos uma força vital que, uma hora nos ensinará a Caçar o alimento, o Sentimento, e o Amor. Porque os Odés querem que nós cacemos - Caçar para não ser Caça... Como foi assim, O Caçador que há em mim, me ensinou:




Em largos passos, Ele alcançou sua caça, e me pediu...
Pediu que eu caçasse um meio termo para andar na linha
Mandou que eu caçasse um jeito de buscar, direito, o que caço
Ordenou que eu nunca fosse caça
Me ofereceu a arma de caçador, e lá vou eu
Caçar um jeito de ser Feliz...


Texto e Foto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

 

4 de julho de 2015

Reza (Texto de Akins Kinte)





Logun Edé 
A vida no que dê
Dois para um ifé
De coragem pra viver
Sensibilidade de mulher
Me de honra pra sofrer 
Resguardo pro que der 
Firmeza se tremer
Logun Edé 
Pelo amor me dê
O bom que o senhor é 
Concentração no fuzuê
Aprendizado como quiser
Sofrimento pra melhor ver 
Verdadeiro um cafuné
Pra não sentir a mercê
Logun Edé 
Eu que custo pra entender
O deserto que vier
Saúde pra eu conter 
Deposite o axé
Quando a vida for doer 
Logo o bem que se quer
Edé sempre o de ter
Logun Edé 
E na vida vou temer
Força pra da pé 
Cadencia pro querer 
Calmaria na maré 
Fruto pra colher
Faísque minha fé
Pro amor me suster
Logun Edé 
A vida de lá no que dê
De mim todo aposse
Sacia no jejum 
Elegante o da ralé
A feiura nos varrer
E a tristeza que não coce 
O coração o adarrum
Guia a igarité 
Quando a vida for chover
Conta de Oxóssi 
Conto da oxum
Logun Edé 
Pra ser bom e eu saber
Pro complexo abebé
O ofá pra abater 
Concentração no Banzé 
Certeza se pender 
É isso mesmo que a gente é
Motivo bom pra morrer

Akins Kinte é Cineasta, Poeta, Escritor de livros como "Punga" e "Incorporos". Autor de Duro não é o Cabelo - Poema vencedor do 1º Festival de Poesia da Cidade de São Paulo, é Maloca e Irmão! - Foto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved