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11 de agosto de 2015

Ser Militante para...



Ser militante para: 
- ver mulher preta rachando mulher preta;
- ver mulher preta rachando homem preto;
- ver homem preto rachando mulher preta;
- ver o empoderamento a partir da estética se transformar numa ferramenta agressiva que dita qual cabelo é mais de preto, qual pele é mais de preto, qual turbante é mais de preto, qual vestido de estampa africana é mais de preto;
- ver que o fomento ao afroempreendedorismo se transformou numa arena de pessoas sem ética, de plágios descarados, de competição desleal e da mais completa falta de senso comunitário;
- ver que a busca por autoconhecimento se transformou num instrumento de silenciamento do outro, onde quem está equipado dos saberes acadêmicos desqualifica os que não sabem, promovendo uma Rinha de Sabichões;
- ver que nossos corpos são regulados - nossa magreza, nossa obesidade, a sexualidade ainda é julgada;
- ver a cultura do Recalque sendo alimentada pelas indiretas violentas, pelas perseguições na internet e pela ilusão vaidosa e narcisista de que a Fama Facebookeana torna alguém mais especial;
- ver que lutamos contra o racismo, mas criamos uma geração que não permite o outro ser o que se deseja ser, ter o que se deseja ter, comer o que se deseja comer, confessar o credo que se deseja confessar, julgando as escolhas e inferiorizando quem não segue a cartilha dos Pretos Perfeitos.
Prefiro ser apenas uma mulher preta comum.
Sem muitas aspirações políticas, amiga de pessoas comuns, que fazem o que acham que deve ser feito.
Pessoas comuns, e não produtores de Verdades.
Pessoas comuns que insistem em errar, e acertar, e errar de novo, e APRENDER, e com sorte ensinar alguma coisa a outro alguém comum.
Pessoas que sangram, que se confundem, que mudam de rota, que pedem pra sair e choram se estiver doendo muito.
Pessoas fracas, doentes, perdidas que, como eu, são comuns, e não têm resposta pra tudo.
Pessoas comuns que precisam de outras pessoas comuns para serem felizes. E que se alegram profundamente quando arrancam de pessoas sorrisos e não aplausos.

Texto Compartilhado do perfil de Fabíola
Foto: Denize Galiao