31 de janeiro de 2017

Terreiro de Mãe Corina sofre com perseguição religiosa e abusos da Guarda Municipal de Diadema



 Imagine o quão violento é para uma sacerdotisa de quase 90 anos ter seu terreiro interrompido por quem deveria proteger seu direito de fé. 

Um dos templos de umbanda mais antigo de Diadema, o Terreiro Vó Maria de Aruanda, fundado e conduzido por Mãe Corina, tem vivido dias assustadores desde o último 14 de janeiro, quando a festividade foi interrompida pela guarda municipal que ao invadir o terreiro ordenou que fossem encerrada a cerimônia, por volta das 21h. A rua foi tomada por viaturas que adentraram o pequeno terreiro, na região central da cidade, alegando que o templo infringia a , popularmente conhecida, lei do psiu.
"Eles não deixaram a gente tocar, anotaram todos as placas de carros para dar multa. Falaram que a gente estava tocando acima do decibéis e que a houve denúncias". Explicou Dani Amorim, filha de santo da casa que completou: "Minha avó tomou um grande susto, porque a gente estava no meio da festa, os orixás 'em terra', e as pessoas tiveram que sair correndo..."

Há mais de 60 anos, Mãe Corina mantém suas portas abertas para a prática da umbanda sagrada. Conhecida e respeitada por toda comunidade do entorno e pelas centenas de terreiros de Diadema, aos 86 anos de idade, a mãe de santo se assustou com a forma violenta e arbitrária com que a guarda municipal exigia o silenciamento de seus atabaques. Recentemente, ela atravessou um grave problema de saúde, ficando impossibilitada de andar por quase um ano, a melhora aconteceu graças à Iemanjá, seu orixá e aos guias de luz do terreiro.

"Eu também estou com medo porque ontem (30/01) nós estávamos decorando o terreiro, em silêncio, em respeito aos orixás. A gente vai fazer a festa de Iemanjá em agradecimento a saúde da minha avó. Minha avó ficou um ano sem andar, e hoje ela já está andando e 'trabalhando' com o caboclo dela, mas ontem parou GCM na frente da nossa casa de santo, e ficaram anotando um monte de coisas. Eu me senti ameaçada, porque eu precisava ir embora por volta da meia noite e dá medo de sair na rua de branco". contou Dani Amorim



Em tom de ameaça, os guardas municipais são enfáticos ao dizerem que o problema é com o barulho dos tambores do Terreiro de Vó Maria de Aruanda e qualquer que seja o horário, se os tambores tocarem e a vizinhança acionar a GCM, o culto será interrompido, o que explicita que a atuação do município é descaradamente intolerância religiosa, uma vez que não há sequer relato de outros seguimentos terem suas práticas interrompidas por, por exemplo utilizarem microfones e aparelhos de som durante seus ritos de pregação e cantos de louvores.

Ao saber do ocorrido, membros de diversos movimentos pró-direitos de fé dos povos de terreiros se colocaram indignados e prontos para a luta contra os abusos intolerantes protagonizados pela segurança pública da cidade, Cássio Ribeiro, presidente da FUCABRAD - Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Diadema, publicou nota em seu perfil das redes sociais e questionou: "Até quando uma senhora tão cheia de amor,  ternura e de fé, será constrangida  e perseguida? A GCM faria isso em um culto evangélico? Colaria um pastor sob a mira de armas?"

Josa Queiroz, membro da FUCABRAD e vereador em Diadema, convocou o comando da GCM de Diadema para uma audiência pública a fim de propor um dialogo entre a prefeitura e o povo de terreiro da cidade para que sejam respeitados e não tenha o direito de expressão de fé cerceado pelo município. O ato acontecerá na próxima terça-feira, 07/02 às 17h, na Câmara Municipal de Diadema. 
 Link do evento: https://www.facebook.com/events/676336082569509/

É de extrema importância que a prefeitura de município se coloque diante do ocorrido e garanta o exercício de fé da comunidade vitimada pela intolerância institucionalizada. Diadema é uma cidade de tradição, conhecida nacionalmente pela sua atuação no enfrentamento a intolerância religiosa, onde o saudoso Toy Francelino de Xapanã protagonizou e impulsionou grandes feitos pelos direitos dos povos de terreiro, tornando-se referência na luta.


A atuação da GCM revela Diadema como uma cidade intoleranteque regride a tempos de silenciamento e marginalização das práticas religiosas afro-brasileiras. Uma cidade que ao invés de proteger, permite que sua guarda municipal agrida a moral de uma sacerdotisa de quase 90 anos de idade e que há 60 atende a comunidade com cuidados religiosos e ações comunitárias como entrega de alimentos, entre outras. É inadmissível que a quarta cidade mais negra do país não respeite a herança africana em sua terra, e não consiga aprender com griots como Mãe Corina a importância de se respeitar as diferenças e garantir a boa convivência em sociedade.

Texto e Fotos: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved



25 de janeiro de 2017

25 de janeiro: Para não esquecer, 182 anos da Revolta dos Malês


Em 25 de janeiro de 1835, explodiu uma das mais importantes rebeliões de negros e negras da história do país: a Revolta dos Malês. Praticamente omitida pela historiografia oficial, a Revolta é uma lição de garra e luta pela liberdade. Mas também da perversidade das elites dominantes”.
Uma explosão pela liberdade e contra a intolerância. A Revolta foi planejada por um grupo de africanos muçulmanos, negros de origem haussa e nagô, chamados de malês, devido ao fato de que, em ioruba, muçulmano é imale. Formado, dentre outros, por Ahuma, Pacífico Licutan, Luiza Mahin, Aprício, Pai Inácio, Luís Sandim, Manuel Calafate, Elesbão do Carmo, Nicoti e Dissalu. A data escolhida, o amanhecer de 25 de janeiro, coincidia com um dia importante do ponto de vista religioso: o fim do mês sagrado muçulmano, o Ramadã, e dos tradicionais festejos religiosos dedicados a Nossa Senhora da Guia, que manteriam ocupados os católicos.
O objetivo da conspiração era libertar seus companheiros islâmicos e negros em geral e matar brancos e mulatos considerados traidores. Uma meta que traduzia a complexa combinação entre escravidão negra e perseguição religiosa, imposta pelos colonizadores católicos.
Dois aspectos singulares influenciaram todo o processo. Em primeiro lugar, diferentemente da grande maioria dos negros (que compunham mais da metade dos cerca de 20 mil habitantes de Salvador) os malês sabiam ler e escrever em árabe. Além disso, boa parte dos líderes da Revolta era formada por? Negros de ganho? (escravos que faziam serviços urbanos, artesanato ou vendas, recebendo algo por isso) o que não só facilitava sua circulação pela cidade, mas também possibilitou que muitos deles comprassem sua alforria e, nos meses que anteriores à Revolta, adquirissem armas.
Nos dias que antecederam o levante, notícias davam conta de uma intensa movimentação, sobretudo de escravos vindos do Recôncavo Baiano para Salvador. Viriam unir-se ao líder Ahuma, que havia sido preso e estava sendo brutalmente castigado. Além disso, o respeitado Alufá Pacífico Licutan, vítima de constantes maltratos por parte de seu senhor, Também se encontrava preso na cadeia municipal. É certo que as agressões sofridas por esses dois mestres foi o estopim para por em prática a revolta há muito planejado.
O número de pessoas envolvidas na preparação da rebelião (entre libertos, escravos, islâmicos e gente que professa outras religiões) varia de acordo com a documentação entre 600 e 1.500, a grande esmagadora deles nascidos na própria África.

Traição e massacre
Antes mesmo de eclodir a Revolta foi denunciada por uma negra ao juiz de paz. A polícia invadiu, na noite de 24 de janeiro, a residência de Manuel Calafate, um dos locais de encontros e reuniões de africanos de fé islâmica. Resistindo à polícia, partiu dali um grupo de escravos que tentou assaltar a cadeia, ainda então instalada na parte baixa do prédio da Câmara Municipal. Outro grupo procurou avisar escravos e libertos malês que trabalhavam nas residências de cônsules e comerciantes estrangeiros. Reuniram-se cerca de 50 a 60 homens armados com pistolas, lanças, espadas e facas. Foram esses os que, primeiro, combateram com a polícia e atacaram o quartel que controlava a cidade.
De forma desorganizada, a Revolta tomou a cidade, mas, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabou sendo massacrada pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião negra.
Durante os confrontos, morreram cerca de 70 negros e aproximadamente 10 soldados das forças repressoras. Com a derrota, centenas foram presos, sendo condenados à deportação (muitos para a África, algo até então inédito no Brasil), a brutais castigos ou à pena de morte. Na seqüência do evento, instalou-se na Bahia, sobretudo em Salvador e Santo Amaro, a mais generalizada e cruel repressão contra os escravos que estendeu a perseguição a outros malês. O temor provocado pela rebelião foi tamanho que a corte imperial proibiu a transferência de qualquer escravo baiano para qualquer outra região do país.
Uma intifada negra
Muitas vezes apontada como uma rebelião de caráter puramente religiosa, a Revolta, na verdade, foi muito mais complexa. Como lembra João José Reis, autor Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835, em uma entrevista publicada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, “com o risco do anacronismo, a revolta estava mais para Intifada do que para Jihad, embora a guerra santa tenha sempre algum lugar no coração de um muçulmano que se rebela”.
Além disso, o processo só pode ser entendido dentro do quadro de rebeliões negras que sacudiam a Bahia, desde o início do século em sucessivos levantes (1807, 1809, 1813, 1826, 1828 e 1830), envolvendo as mais diversas etnias e grupos. Em relação à predominância dos malês, favorecida pelos aspectos mencionados acima, também é importante lembrar que vários documentos apontam para o fato de que eles viam os demais negros como aliados em potencial.
Acima de tudo, apesar de derrotada, a Revolta serviu como inspiração fundamental para as lutas contra a escravidão, não só pelo exemplo que forneceu, mas também pelo envolvimento de muitos de seus líderes e participantes, como Luiza Mahin em outros processos. Uma lição que para nós, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU, continua viva na necessidade de travar uma luta sem tréguas contra o racismo, toda forma de intolerância e, particularmente, contra o sistema que alimenta estas práticas. O colonial, no passado; o capitalista, na atualidade.

Luíza Mahin: mulher guerreira
Esta africana guerreira teve importante papel na Revolta dos Malês. Pertencente à etnia jeje, alguns afirmam que ela foi transportada para o Brasil, como escrava; outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu a luz a um filho, Luis Gama, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista e escreveria as seguintes palavras sobre sua mãe "Sou filho natural de uma negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã…"
Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX, dentre elas a chamada Grande Insurreição, de 1835. “Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África”.

Por: Dicá (Ativista negro, embaixador e cidadão samba paulistano de 2004, é compositor, batuqueiro, passista e fundador da Velha Guarda da Rosas de Ouro de Vila Brasilândia, junto com a embaixatriz do samba Maria Helena. É pesquisador cultural e estudioso da cultura popular brasileira e afrodescendente). Texto publicado em: Portal Geledés
Fotos: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved

1 de dezembro de 2016

Especial Retratos: Grandes Nomes do Samba de São Paulo

Foi entre um café no lar de Oswaldinho da Cuíca, a tradicional feijoada da Dona Inah no Brooklin, uma reunião comunitária com a sambista e deputada Leci Brandão no quilombo de Cançandoca, uma manhã na Casa Verde com Mestre Dadinho, almoço no extremo norte com a rainha Duda Ribeiro, bolo e suco na zona leste com a Dama do Berço do Samba de São Matheus, Tia Cida, além da breve visita ao templo do samba da Unidos do Peruche com o anfitrião e sábio Seu Carlão, e uma corrida tarde para fotografar o mestre Moisés da Rocha, que esta série fotográfica se fez. 

Entre 2015 e 2016 tive a oportunidade de estar, aprender  e fotografar forças que fazem e mantém viva a história do samba de São Paulo, e em celebração ao Dia Nacional do Samba, 02 de dezembro, compartilho algumas dessas imagens. Sorrisos acolhedores, histórias de marejar os olhos e uma sabedoria que somente os grandes mestres possuem. Lições de vidas traduzidas em retratos das verdadeiras divindades da nossa cultura centenária. 



Leci Brandão: Leci Brandão da Silva, nasceu e foi criada nas proximades da Portela, Vila Isabel e Mangueira, redutos do samba carioca. É cantora, compositora e uma das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira. Sua carreira teve início no começo dos anos 70, quando tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Mangueira. Leci é uma artista versátil, como prova atuou na novela Xica da Silva na extinta TV Manchete, com a personagem SeverinaUma das mais importantes mulheres negras da história do Brasil e um dos grandes nomes do Samba, deputada estadual em seu segundo mandato, começou sua carreira artística em 1970 e foi a primeira mulher a participar da ala de compositores da Mangueira.



Mestre Dadinho do Camisa: O paulista Eduardo Joaquim nasceu 08 de agosto de 1943. Conhecido como Seu Dadinho, fez carreira nos Correios, mas sempre dividiu o seu tempo e dedicação com samba. Seu Dadinho é considerado um dos fundadores da escola de samba Camisa Verde e Branco e conviveu com grandes baluartes como Seu Inocêncio no Camisa Verde, Pé Rachado da Vai-Vai, Seu Carlão do Peruche, Madrinha Eunice no Lavapés (primeira escola de samba de São Paulo, ainda em atividade) e Alberto Alves da Silva da Nenê de Vila Matilde. Todas essas personalidades plantaram a semente do samba no estado de São Paulo. Ritmista e compositor de mão cheia, já coordenou a bateria da escola e escreveu canções como Peso da Tradição, Festa No Morro, Malandro Vacilão, Canto Pra Viver, Revelação, Eta Samba Bom.



Dona Inah: Nascida em Araras, no interior paulista, Ignez Francisco da Silva, a Dona Inah, é filha de músico. Aos nove anos já cantava nos bailes das fazendas da região e nas festas da cidade. Com menos de 20 anos de idade, mudou-se para Santo André, onde venceu o concurso “Peneira Rodini”, que lhe abriu as portas para os clubes, bailes, orquestras e rádios, em especial a Rádio Record. Em 2008, lançou o disco “Olha quem chega”, inteiramente dedicado à obra de Eduardo Gudin. Em 2010, Dona Inah esteve em Cuba, onde gravou 14 canções com músicos cubanos, cantadas em espanhol. Em 2011 participou do projeto “Damas do Samba”, em homenagem à Clara Nunes, Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra e Dona Ivone Lara. Em 2013, lançou seu terceiro disco, “Fonte de Emoção”.




Oswaldinho da Cuíca: Nascido Osvaldo Barros, em 1940, Osvaldinho da Cuíca foi o primeiro Cidadão Samba Paulistano, em 1974. Integrou o grupo Demônios da Garoa em três momentos. Fundador da ala dos compositores da Vai-Vai, desde então teve seis sambas seus desfilados pela tradicional escola de samba do Bexiga. Três deles campeões, incluindo "Na Arca de Noel Quem Entrou Não Saiu Mais", de 1978, que deu o primeiro título à escola. A alcunha Osvaldinho da Cuíca lhe foi dada na época em que participou do grupo do poeta Solano Trindade.



Tia Cida: Maria Aparecida da Silva Trajano nasceu no dia 26 de novembro de 1940 em São Paulo. É filha de Maria Ercília da Silva Rosa e Otávio Henrique de Oliveira, conhecido como Blecaute, compositor de “General da Banda” (1949) entre muitos outros clássicos do carnaval de rua. Tia Cida ou Tia Cida dos Terreiros, é a mãe do lugar que ficou conhecido como o Berço do Samba de São Mateus, na zona leste de São Paulo. Sua casa se tornou um tradicional reduto do samba por acolher músicos, sambistas e apaixonados pelo gênero que faziam e continuam a fazer grandes rodas de samba, tendo tia Cida como matriarca e referência. Tia Cida gravou seu primeiro disco aos 73 anos de idade com incentivo e produção do Quinteto em Branco e Preto, grupo que viu nascer nas rodas de samba de seu quintal.




Moisés da Rocha: Seu primeiro contato com o rádio foi em busca do sonho de ser cantor. O timbre de sua voz, no entanto, chamou a atenção para além da música que interpretava. Foi assim que Moisés da Rocha conseguiu o seu primeiro emprego como locutor. Como radialista, entre suas conquistas estão o pioneirismo na rádio FM com um programa totalmente dedicado ao samba. Chamado “O Samba Pede Passagem”, o programa foi ao ar pela primeira vez em 1978, na rádio Universidade de São Paulo FM. O programa resgatou a força do gênero, abrindo caminho para muitos artistas. O “Samba Pede Passagem” representa um símbolo na luta pela valorização das raízes culturais afro-brasileiras, que atua por meio da música.




Dona Duda Ribeiro: Dulcinéa Ribeiro é professora de Educação Musical e Expressão Corporal, cantora, relações públicas, diretora de ala e apresentadora de eventos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em São Paulo, no bairro da Lapa, zona oeste. Militou por 9 anos da Escola de Samba Vai Vai a convite do padrinho, o sambista Geraldo Filme, e depois no Camisa Verde e Branco a convite do Sr. Carlos Alberto Tobias. Foi dançarina e, depois, backing vocal do programa Show do Sargentelli na década de 70 e a única mulher a integrar o tradicional JB Samba. Foi eleita Cidadã Samba de São Paulo em 2005 por unanimidade, e agraciada com o título de Embaixatriz do Samba de São Paulo pela Embaixada do Samba Paulistano.




Seu Carlão do Peruche: Carlos Alberto Caetano nasceu no dia 11 de setembro de 1930 na região da Santa Cecília e Barra Funda, zona Oeste de São Paulo. Aproximou-se do samba quando conheceu a Lavapés, a mais antiga escola de samba paulistana ainda em funcionamento fundada por Madrinha Eunice. Foi lá que Seu Carlão tomou verdadeiro gosto pelo samba, liderou sambistas ainda adolescente e de onde saiu, em 1955, para formar sua própria agremiação, a Escola de Samba Unidos do Peruche, fundada em 1956 no bairro da Casa Verde. Além de ser um personagem importante da história do samba paulista, condecorado Embaixador do Samba pela União das Escolas de Samba de São Paulo, Seu Carlão é um exímio contador de histórias. Como um griô ele carrega consigo a sabedoria de quem muito viveu e aprendeu com os mais velhos. Seu Carlão não só fundou a Peruche como militou e milita pela tradição do samba paulista.


Fonte, Iniciativa e Produção: Mandato Deputada Leci Brandão
Fotos: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved












ABATE RELIGIOSO E CRIME AMBIENTAL



A Lei de Crimes Ambientais possui quatro regras diretamente relacionadas com a proteção da fauna: 
1. proíbe o abate, caça e utilização de animais silvestres (nativos, exóticos, espécie rara ou em extinção) sem licença ou autorização de autoridade competente;
2. pune o abuso, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos;
3. condena a venda, aquisição, guarda ou manutenção em cativeiro de espécime silvestre proveniente de criadouro clandestino e sem autorização de autoridade competente;
4. reprime o uso de método cruel para o abate ou captura de animais.

Também a Lei das Contravenções Penais proíbe crueldade, imposição de trabalho excessivo, experiência dolorosa ou cruel em qualquer espécie de animal.
No caso de abate, a lei penal exige autorização prévia somente na hipótese de animal silvestre, nativo ou exótico.

Independentemente da espécie de animal, a lei proíbe abuso, crueldade ou maus tratos. 
Ao IBAMA (Instituto Nacional do Meio Ambiente) compete publicar as listas dos animais silvestres, nativos, exóticos, raros ou em extinção.

Grosso modo pode-se dizer que silvestre (selvagem) é aquela espécie animal que nasce e vive em ecossistema natural, como florestas e savanas, não é adestrável e seu ciclo de vida independe da ação humana.

Nativo é o animal silvestre cujo habitat natural situa-se nas regiões do Brasil, ao passo que o exótico normalmente tem origem em habitat estrangeiro.

De seu turno, domésticos são os animais que têm comportamento adaptável à presença humana, seu ciclo de vida depende do ser humano e podem viver em cativeiro.
Merece atenção o fato de que a lei autoriza a criação em cativeiro e o abate das tartarugas “tracajá”, “muçuã” ou “jurárá”, “pitiú” ou “iaçá”, as quais podem ser adquiridas em criadouro autorizado pelo Ibama. Também o faisão poder ser adquirido nestes criadouros.

Já o cágado é considerado animal silvestre (há 16 espécies no Brasil), sendo que seu abate configura crime ambiental.

A legislação também proíbe a criação e comercialização do caramujo-gigante-africano “achatina fulica”, um molusco que não pode ser confundido com o grande caramujo branco (megalobulimus paranaguensis), espécime brasileira. 

O caramujo-gigante-africano é considerado animal exótico invasor e ainda transmite doenças como meningite e parasitose.

Recomenda-se, portanto, todo cuidado nesta seara. 
Obedecidas estas normas, entre outras sobre as quais falaremos oportunamente, o abate religioso constitui uma prática autorizada e protegida pelas leis brasileiras.

Por Hédio Silva Jr. - Advogado, Mestre e Doutor em Direito pela PUC-SP, ex-Secretário da Justiça do Estado de São Paulo (2005-2006)
Foto: Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved