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4 de setembro de 2015

Sexta-Fria - Quando chega Oxalá




Percebe o frio da primeira sexta-feira do mês? Agora, vá me dizer que Oxalá não sabe o que acontece no mundo..? 
Não ouse me dizer que meu Deus é força distante e que só nos encontraremos em um certo juízo final, antes de um Paraíso.
Não é assim não. 

Minha sorte é essa. É a força de um Deus presente em todos os dias, horas, minutos, segundos. Minha sorte é poder perceber quando a força mais sagrada passa na terra. E o meu pai faz assim, baixa as temperaturas, assenta a fúria, e no vento gelado, vai confortando quem por ti tem fé. 

E manda chuva porque aqui anda tudo muito sujo mesmo. Mas ele, em mais pura piedade, nos lava das impurezas que nossas próprias vontades criam. Nos permite água nova para lembrarmos que é tempo de reviver sua saga de resiliência constante no mundo apressado. 
 
Astuto? talvez. Mas quem sou eu para questionar o Rei quando ele diz que vai? Eu posso não ir, mas ele vai quando quiser, para onde quiser. Reveza os passos mais lentos e certeiro e chega onde quer chegar. 

Percebe que é a primeira sexta-feira do mês e corre água vinda do céu. É tempo de água rolar para lavar o mundo. É tempo da peregrinação branca que acorda os dias, em quartinhas alvas. Caminha em fila única, canta sem muito alarde - canta rezando. Pisa o chão descalços, sente o frio que toma a terra umedecida pela neblina. Canta com o coração a chorar. Curva-se com calma e sem pressa, mergulha  e enche sua pequena porcelana de água mais limpa que as lágrimas que nos escorrem o rosto... Volta a cantar, volta rezando que o próprio caminho te lava. Chega para lavar  a vida mais uma vez. Em pura paciência, repita os caminhos por todos os dias, e dia após o outro, o peso do mundo diminui... É quando as vestes do Rei tornam-se alvas, mais uma vez e ele perdoa o mundo. 

Mundo esse que Ele traz nas costas sozinho, amparado, no bastão pra sustentar a vida. Vai menino novo, limpa  coração para poder te estender a mão!  Sim, o Rei me dá a oportunidade de lhe tocar. Emoção! É quando as minhas pernas tremem, eu fraquejo por dentro, e por fora sou firma rocha de sustento, porque meu Pai quer dançar. Ele vem, quase em um... dois... três, passos só, quando o coro se bota a quebrar.  

É que essa é a nossa vida. E entender nem se faz em meu pensar. Viver para a força Branca é sentir o frio, acalentar na chuva fina, e tudo, na neblina, enxergar. É que o Rei já tirou a pressa do mundo, para que nada a gente não pudesse mais a vida sujar.
Mas tenha calma. Olhe a janela, veja o Rei no breu. Seja também a neblina, de vento gelado que arrepia a espinha, dobre os joelhos, alcance o chão gelado, dobre-se mais até que o topo do seu mundo, encontre a base da existência - sim. bata cabeça - cante, reze cantando, converse no silêncio... e sinta quando passa Oxalá...


Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved
 


3 de julho de 2015

Revivo Osaalá






Eu não pestanejarei diante de suas ordens

Não gritarei porquês e nem pedirei explicações 

Cairei
Uma, 
Duas, 
Três, 
E quantas vezes precisar, mas andarei 
Calado. 
Somente seu Silêncio alimentará meu Eu 
Somente a sua Perseverança perdoará minha astúcia 
Porque eu me sujarei de arrogância, 
Uma, 
Duas, 
Três, 
E algumas outras vezes, 
Mas terei em ti águas para sede 
Eu, andarei, não falarei, aceitarei a prisão em minhas atitudes
Serei detento das minhas próprias escolhas, e errarei 
Uma, 
Duas, 
Três, 
E algumas outras vezes
Pode ser que me falte cama e conforto 
Pode ser que um passo me leve ao escuro da ignorância em sereno 
Mas o acalanto da fé no Senhor 
Que me guardará em limpos panos brancos

Uma, 
Duas, 
Três, 
E quantas vezes eu precisar
Reviverei Osaalá


[Roger Cipó © Olhar de um Cipó - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved]